Informações e projetos relacionados ao esporte como espaço e plataforma de contribuição ao desenvolvimento sustentável nos aspectos ambiental, econômico e social, mas também para a solidariedade, a cultura de paz e a diversidade cultural
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Criação de Grupo Gestor dá pontapé inicial para Copa Orgânica e Sustentável
Após a criação da associação, será solicitado o apoio do governo federal, por meio do Grupo de Trabalho Interministerial. O Ministério do Desenvolvimento Agrário é um dos principais estimuladores da campanha Copa Orgânica e Sustentável.
A agricultura orgânica está em constante crescimento em todo mundo e também no Brasil. Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), dois milhões de agricultores orgânicos já estão certificados no mundo, sendo 80% deles nos países em desenvolvimento, onde estão igualmente 73% das áreas certificadas para a apicultura orgânica e coleta de produtos vegetais cultivdos em estado selvagem. As estimativas são de que a agricultura orgânica já estaria movimentando um comércio de US$ 60 bilhões anuais.
Um dos principais portais para a expansão da agricultura orgânica no mundo é a BioFach, grande feira de produtos orgânicos, realizada em Nuremberg, na Alemanha. Na edição de 2012, em fevereiro, a feira contou com mais de 2,5 mil expositores. O Brasil estava presente com dez empresas do setor, ligadas ao Projeto Organics Brasil.
Esta representação indica o estágio da agricultura orgânica no Brasil, um setor também em crescimento, mas que continua a enfrentar desafios, como nas áreas de certificação e comercialização. Embora tenha uma das maiores produções agrícolas do mundo de forma geral (produção anual em torno de 150 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas), o Brasil ainda tem um espaço muito grande para crescimento do mercado de orgânicos, diante do potencial existente.
Previsto na Lei 10.831, de 2003, regulamentada em 2007, com o decreto 6323, o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, em construção, dará a dimensão exata da produção da agricultura orgânica no Brasil. A lei estabeleceu o que realmente pode ser caracterizado como orgânico. A expectativa é a de que a campanha Copa Orgânica e Sustentável contribua para a ampliação da visibilidade da agricultura orgânica no Brasil, influenciando no aumento da produção e melhoria da distribuição e comercialização.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Olimpíadas de Londres renovam histórias de superação
É o caso de Joanna Rowsell, integrante da equipe britânica campeã olímpica de ciclismo, na prova que teve Paul McCartney como espectador ilustre. Aos 10 anos ela recebeu o diagnóstico de alopecia, doença que provoca a queda dos pelos do corpo. Cinco anos depois, o ciclismo começou a mudar a sua vida e a sua prioridade passou a ser a preparação para as competições. Venceu campeonatos juvenis e em 2008 integrou a equipe britânica campeã mundial, repetindo o feito em 2009 e 2012.
Uma das biografias mais impressionantes, ligadas aos Jogos Olímpicos de Londres, é a de Adrien Niyoshuti, 25 anos. Ele perdeu os pais, o avô e seis irmãos no genocídio ocorrido em Ruanda em 1994, quando 800 mil pessoas morreram, como resultado das disputas entre Hutus e Tutsis. Ele começou a carreira no ciclismo como consequencia do trabalho que fazia, transportando hortaliças e legumes em bicicletas. Niyoshuti carregou a bandeira de Ruanda na cerimônia de abertura em Londres. Seu país levou sete atletas à Inglaterra.
Outro africano que tem uma bela história para contar é o velocista Oscar Pistorius. O sul-africano é o primeiro atleta bi-amputado a competir na Olimpíada e na Paraolimpíada. Ele chegou à
Impossível não citar, igualmente, o feito de atletas de países de baixa renda, mas que se tornaram referência mundial em várias modalidades. Caso dos etíopes e quenianos do atletismo, tão bem conhecidos dos brasileiros pela sua tradicional e vitoriosa participação na Corrida de São Silvestre e outras competições semelhantes. Para variar, a etíope Tiki Gelana ganhou a maratona feminina em Londres. A queniana Priscah Jeptoo ficou com a medalha de prata.
Claro, Usain Bolt, o jamaicano bicampeão olímpico nos 100 metros rasos, na prova que teve outro compatriota, Yohan Blake, como segundo colocado. A terra do reggae também assombra o mundo nas pistas de atletismo.
Terminadas as Olimpíadas, logo depois a capital britânica sediará o momento máximo da superação pelo esporte. A décima-quarta edição das Paraolimpíadas acontecerá entre 29 de agosto e 9 de setembro. Serão 21 modalidades, proporcionando novos relatos de transposição de barreiras, de celebração da beleza da vida (Por José Pedro S.Martins)
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Não faltou jogo para o futebol feminino: falta projeto de país
Por José Pedro Martins
O Brasil provavelmente levará o ouro no futebol masculino (embora ainda tenha que jogar muito para isso), mas de novo a nota triste é o descaso absoluto com o futebol feminino. Essas meninas são as nossas verdadeiras heroinas olímpicas. Sem nenhuma retaguarda, sem nenhum apoio, sem liga nacional, continuam correndo muito pelo país. É claro que uma hora ou outra não conseguiriam ficar entre as quatro melhores. Miopia, machismo descarado. Para o milionário futebol masculino, tudo, para o feminino, o sorriso amarelo de sempre. (E o mesmo pode ser dito em relação à maioria das outras modalidades) Com esse espírito olímpico (e o esporte em geral reflete os valores que um país cultiva), continuaremos lá na ponta oposta da tabela, e nem os jogos no Rio em 2016 irão salvar a casa.
Quando, em 1996, as meninas ficaram em quarto lugar nas Olimpíadas de Atlanta, deixando evidente o enorme potencial de avanços maiores, já deveria ter sido iniciado o tão falado e nunca praticado trabalho de base com o futebol feminino no Brasil. Qualquer país com ambição - e aqui a palavra é empregada no sentido mais positivo possível - olímpica, ou melhor, que efetivamente encara o esporte como plataforma para o desenvolvimento humano integral, faria isso.
Quatro anos depois, em Sydney, outro quarto lugar. Em 2004 e 2008, em Atenas e Pequim, a medalha de prata. Já era tempo de estruturação de um trabalho efetivo, a partir das escolas, como ocorre nos países que levam o esporte - e a educação - a sério, e isso nas mais diversas situações, dos Estados Unidos à Coreia do Sul, da China a Cuba.
Mas a esperança continuou apenas em função do talento individual, do brilho, de Marta ou Cristiane (o Brasil sempre dependendo de um líder...). Marta pouco jogou nos últimos dois anos. A liga americana, onde jogava, depois de anos na Europa, chegou a ser suspensa - o que não diminuiu o poderio do futebol feminino nos Estados Unidos, justamente porque lá existe o tal trabalho de base, a partir das escolas no primeiro ciclo.
Marta agora está falando em talvez não jogar as Olimpíadas de 2016. Ela provavelmente está amargurada e decepcionada com seu país. Deve ser muito difícil carregar a esperança de uma nação, mas não receber o retorno desejado desta mesma nação. Ela sabe muito bem a causa do fracasso em Londres.
Em "Lisístrata", Aristófanes descreve uma suposta greve do sexo - um ato biopolítico naquele contexto - entre as mulheres gregas, como forma de forçar a paz entre atenienses e espartanos, os precursores dos mágicos Jogos Olímpicos. Nos últimos tempos, greves e protestos tornaram-se comuns entre atletas de diferentes modalidades. Guardadas as devidas proporções históricas, e utilizando outros meios políticos, é claro, as meninas do futebol feminino talvez devessem pensar em um movimento firme para garantir o trabalho de base necessário para que o brilho retorne em 2016 no Rio de Janeiro - se é que ainda dá tempo. Não foram Marta, Cristiane e outras atletas que falharam. O que faltou, o que falta, é um projeto de Brasil.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
FORTES INTERESSES AMEAÇAM A AGENDA 21 NA RIO+20
Por José Pedro Martins
A Agenda 21 foi o principal documento aprovado na Eco-92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em junho de 1992, no mesmo Rio de Janeiro que agora receberá nova importante conferência da ONU. Marcada por um profundo compromisso ético com a vida, em seus 40 capítulos a Agenda 21 detalha os princípios, conceitos e metas para a conquista do desenvolvimento sustentável nas áreas social, econômica e ambiental.
Nem de longe é o horizonte dos sonhos, muitas questões ali apontadas poderiam ser repensadas à luz do atual cenário global e até de inovações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas. Mas o principal é o espírito, o olhar, a perspectiva da Agenda 21, no sentido de considerar a complexidade da temática socioambiental. Uma visão multidisciplinar, transversal, complexa dos problemas e da forma de resolvê-los. E é acima de tudo um fomento da esperança, a indicação de que é possível mudar o quadro global à primeira vista devastador e sem solução.
A Agenda 21 motivou processos nacionais, regionais e locais em várias partes do planeta, com resultados expressivos de mobilização e avanços concretos em muitos casos. Entretanto, o sentido da Agenda 21, a sua mensagem, sempre foram boicotados na prática pelos grupos e governos não muito compromissados com as mudanças necessárias e urgentes para a proteção da vida na Terra. “Falar em Agenda 21” dava alergia em muitos poderosos (e mesmo meros candidatos a poderosos), temerosos de assumir compromissos que não poderiam lhe render apoio de outros poderosos.
E agora as garras estão afiadas. Nos Estados Unidos, cresce o movimento anti-Agenda 21, apontada como uma barreira para o crescimento econômico e até como uma forma de censurar as liberdades individuais. Nada mais falso e demagógico. Mas essa articulação ganhou uma dimensão perigosa com a resolução aprovada em janeiro pelo Partido Republicano, condenando o que qualifica de “destrutiva e insidiosa natureza” da Agenda 21. Newt Gingrich, um dos candidatos nas primárias republicanas, já se expressou a respeito, fazendo coro a seus partidários.
Curiosamente essa deliberação do poderoso Partido Republicano não teve grande repercussão na imprensa (o “New York Times” publicou artigo sobre a questão) ou mesmo no segmento ambientalista mundial. Entendo que essa movimentação por lá deveria ser levada mais a sério, inclusive em função da proposta oficial dos Estados Unidos para a Rio+20, que inclui a elaboração de um décalogo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), semelhantes aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), cujo prazo expira em 2015. Seria um conjunto de metas simplificadas, a exemplo dos Oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a serem alcançadas em 10 ou 20 anos. Seria, na prática, uma enorme diluição do que a Agenda 21 global representa para um avanço da consciência de cidadania planetária.
O Brasil também manifestou apoio à elaboração dos ODS, em sua proposta oficial à Rio+20. Outros países, contudo, como a Colômbia, fizeram questão de ressaltar a importância de que na Rio+20 a comunidade internacional renove os compromissos com a Agenda 21. A Colômbia também apoia os ODS, mas deixa claro que eles deveriam se inspirar na Agenda 21.
Infelizmente existe uma tradição na história das grandes conferências internacionais de se esquecer o que foi aprovado anteriormente. A primeira Conferência de Meio Ambiente da ONU, a de Estocolmo, em 1972, aprovou uma declaração final com propósitos avançadíssimos, como o fim das armas de destruição em massa e do colonialismo, ao lado da defesa dos direitos humanos, da educação ambiental e da ciência a favor da vida. Claro, muitos desses enunciados não saíram do papel ou foram solenemente desprezados. Tomara que a Rio+20 não passe para a história como o evento que sepultou a Agenda 21.
Documento oficial - O “esboço zero” do documento final da Rio+20 é muito genérico quando aborda a Agenda 21. Isso apenas aumenta as preocupações com relação ao futuro desse documento da Eco-92 que representou muita esperança para toda uma geração. São estas, e apenas estas, as referências à Agenda 21 no esboço, intitulado "O futuro que queremos".
Ponto 7. “Nós reafirmamos nosso compromisso com o prosseguimento da implementação da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Agenda 21, o Programa de Implementação Contínua da Agenda 21, a Declaração de Joanesburgo sobre o Desenvolvimento Sustentável e o Plano de Implementação da Cúpula Global sobre o Desenvolvimento Sustentável, o Programa de Ação de Barbados e a Estratégia Maurícia para Implementação. Os princípios da Eco-92 continuarão a guiar a comunidade internacional e servir como base para a cooperação, coerência e implementação dos compromissos assumidos”.
Ponto 12. “Nós notamos que o compromisso nacional com o desenvolvimento se aprofundou. Muitos Governos atualmente incorporam questões ambientais e sociais em suas políticas econômicas, e fortaleceram seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a implementação de Agenda 21 e de acordos relacionados através de políticas e planos nacionais, legislação e instituições nacionais, e a ratificação e implementação de internacional ambiental acordos”.
Ponto 44. “Nós reconhecemos que uma forte governança em níveis locais, nacionais, regionais e global é crucial para dar prosseguimento ao desenvolvimento sustentável. O fortalecimento e reforma da estrutura institucional deve, entre outras coisas:
a) Integrar os três pilares de desenvolvimento sustentável e promover um implementação de Agenda 21 e resultados relacionados, de modo consistente com os princípios de universalidade, democracia, transparência, custos acessíveis e responsabilidade, mantendo em mente os princípios da Eco-92, em particular as responsabilidades comuns, mas diferenciadas.
b) Oferecer uma orientação política coesiva e centrada nos governos para o desenvolvimento sustentável e identificar ações específicas de modo a cumprir a agenda de desenvolvimento sustentável através da promoção de uma tomada de decisões integrada em todos os níveis.
c) Monitorar o progresso na implementação da Agenda 21 e resultados e acordos relevantes, em níveis locais, nacionais, regionais e global”.
Ponto 49 (2ª alternativa). “O trabalho do Conselho (de Desenvolvimento Sustentável) deve se basear em documentos fundamentais sobre o desenvolvimento sustentável como a Agenda 21, os princípios da Eco-92 e resultados relacionados. O Conselho deve, entre outras coisas, realizar plenamente as funções e obrigações da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável. Deve ser guiado pela necessidade de promover a integração dos três pilares de desenvolvimento sustentável, promover sua implementação efetiva em todos os níveis e promover coerência institucional efetiva. Deve ajudar a ampliar o envolvimento de todos os stakeholders, em particular Major Groups, no acompanhamento dos resultados da Rio+20”.
Ponto 105. “Nós reconhecemos que metas, objetivos e marcos são essenciais para a medição e aceleração do progresso na direção do desenvolvimento sustentável e concordamos em lançar um processo inclusivo para elaborar até 2015:
a) um conjunto de Metas Globais de Desenvolvimento Sustentável que reflitam um tratamento integrado e balanceado das três dimensões do desenvolvimento sustentável, sejam consistentes com os princípios da Agenda 21, e sejam universais e aplicáveis a todos os países, mas dando espaço para abordagens diferenciadas entre países;”
Ponto 118. “Nós reafirmamos os compromissos relativos a ciência e tecnologia contidos na Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, na Agenda 21 e nos resultados de outras importantes Reuniões de Cúpula e Conferências da ONU”.
Tudo muito genérico, muito pró-forma. Não se fala em atualizar a Agenda 21, como um grande roteiro, aí sim, para a conquista do aclamado desenvolvimento sustentável. O Ponto 105 é particularmente preocupante, porque ratifica a proposta dos Estados Unidos, Brasil e outros países, de elaboração das Metas Globais de Desenvolvimento Sustentável. Poderão ser indicadas metas muito limitadas, diluindo a abrangência da Agenda 21. O esboço zero, enfim, foi ainda mais diluidor do potencial da Agenda 21 do que as próprias propostas, em sua maioria timidas, dos governos dos países.
Lobby forte – Os contrários à Agenda 21 poderão ter a aliança, na Rio+20, de outros lobbies igualmente poderosos, como dos defensores da energia nuclear e dos chamados “céticos do aquecimento global”. Depois do acidente de Fukushima, no Japão, no início de 2011, a recusa à energia nuclear aumentou muito em todo planeta. A Rio+20 pode ser a última chance para a indústria nuclear, com o argumento de que essa energia é “limpa” e de que seria uma ótima alternativa para combater o aquecimento global. Nada mais falso, na medida em que, como vários estudos já demonstraram, a indústria nuclear é suja já na extração e processamento de urânio, até a destinação dos resíduos radioativos, para a qual ainda não existe tecnologia adequada.
Por outro lado, o lobby dos “céticos do aquecimento global” demonstrou sua força nos Estados Unidos, particularmente no Congresso, que tem-se recusado a aprovar a proposta, ainda que limitada, do presidente Obama de corte nas emissões americanas de gases-estufa nos próximos anos.
O lobby dos “céticos” (na realidade, dos defensores da continuidade do uso dos combustíveis fósseis) é fortíssimo no Congresso norteamericano. Apenas em 2008, segundo levantamento do The Center for Public Integrity, um conjunto de 770 empresas e grupos de interesse foi responsável pela contratação de 2340 lobistas para atuar nos debates sobre a legislação para as mudanças climáticas. Este número representava que o número de lobistas na questão tinha aumentado em 300% desde 2003. Apenas em 2008 o lobby que critica a tese do aquecimento global por causas humanas gastou US$ 90 milhões, segundo a mesma fonte. Vários bancos de ação global integram o lobby.
Enfim, não faltarão poderosos interesses na Rio+20 para tentar derrubar o “espírito da Agenda 21”, que foi solenemente torpedeada por esses interesses nas últimas duas décadas. Ela nunca foi o melhor dos mundos, não reflete os desejos reais de transformação rumo à sustentabilidade plena, mas é um marco civilizatório e está por um fio.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Falta ousadia e criatividade em ações sociais para o futebol brasileiro
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Lei Rouanet pode sair de campo e ser substituída por Procultura: o que o Brasil vai ganhar?
domingo, 4 de dezembro de 2011
O Doutor Sócrates Brasileiro que conheci, um pensador da cultura
Por José Pedro Martins
O cara era, é, sempre será, realmente diferente. O Doutor Sócrates morreu na véspera da última rodada de um empolgante, embora com qualidade mais do que discutível, campeonato brasileiro. E justo quando o Corinthians provavelmente se tornará de novo campeão. O jogo com o Palmeiras, que já estava apimentado, ganhou mais um condimento.
Ele nasceu para brilhar, porque sempre foi na corrente contrária. Não foi mestre em jogar de calcanhar, enquanto para muitos boleiros de hoje chutar para frente já é difícil? Como Tostão, outro doutor, não foi sempre uma referência no sentido de que o futebol não é tudo, mas a educação é tudo?
O nome de batismo já indicava tudo. Sócrates, aquele que sabe que nada sabe e por isso foi um dos maiores sábios. Outro que provocou polêmicas em seu tempo. E, além disso, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, nome enorme, de nobre, que aprendi de cor muito cedo, depois daquele domingo inesquecível em 1974.