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domingo, 12 de agosto de 2012

As lições de Londres-2012 para a sustentabilidade em Jogos Olímpicos

Um dos principais legados de Londres-2012 é o avanço na aplicação dos conceitos de sustentabilidade, em relação às últimas Olimpíadas. Ficaram importantes lições, que já poderão ser aplicadas nos Jogos Olímpicos e Paraolimpíadas do Rio de Janeiro em 2016 mas que também valem para os dois outros megaeventos no Brasil, a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo de Futebol, em 2014.
A vinculação entre esporte e meio ambiente começou com força dois anos depois da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, no Rio de Janeiro. Em 1994, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) assinou acordo de cooperação com o Comitê Olímpico Internacional (COI), que neste mesmo ano incluiu o meio ambiente como o terceiro pilar do movimento olímpico, ao lado do esporte e da cultura.
Em outubro de 1999, na Terceira Conferência Mundial sobre Esporte e Meio Ambiente, realizada no Rio de Janeiro, foi lançada a Agenda 21 do Movimento Olímpico Esporte para o Desenvolvimento Sustentável. Medidas concretas relacionadas à sustentabilidade passaram a ser tomadas a partir dos Jogos Olímpicos de Sidney, na Austrália, em 2000. (Ver mais sobre História da relação Esporte e Sustentabilidade na coluna História: http://esporteesustentabilidadenobrasil.blogspot.com.br/p/historia.html)
O projeto de Londres 2012 - Desde a concepção da candidatura, Londres considerou a possível realização dos Jogos Olímpicos como uma excelente oportunidade para estimular a economia local, gerando renda e emprego, a partir da transformação da área mais degradada da cidade, na região Leste, a East London. E a reconstrução deveria seguir princípios da sustentabilidade, segundo os responsáveis pela candidatura.
Uma das medidas tomadas para garantir esse legado de sustentabilidade foi a criação da Comissão para uma Londres-2012 Sustentável, que atuaria no monitoramento das medidas tomadas, com a postura de ser um "amigo crítico". Comentários temáticos e relatórios sobre vários aspectos foram produzidos pela Comissão, cujo mandato expira no início de 2013, após um amplo balanço do que aconteceu de fato em termos de sustentabilidade relacionado aos Jogos Olímpicos e Paraolimpíadas.
Quando Londres se candidatou a sediar os Jogos de 2012, a cidade já havia se comprometido a criar um órgão para o controle independente da sustentabilidade. A Comissão foi então criada em 2007. Um conjunto de 233 recomendações foi feito pela Comissão, que passou a acompanhá-las e a divulgar trimestralmente o status de sua aplicação pelo comitê organizador dos Jogos Olímpicos.
No último balanço trimestral, divulgado um mês antes do início dos Jogos de Londres, a Comissão considerou que tinham sido consideradas satisfeitas 155 recomendações até aquele momento. Foram recomendações relacionadas ao planejamento e execução de medidas concretas para garantir o legado de sustentabilidade dos Jogos Olímpicos, em torno dos cinco eixos principais do Plano de Sustentabilidade Londres-2012: Mudanças Climáticas, Resíduos, Biodiversidade, Inclusão e Vida Saudável. A Comissão considerou nesse levantamento que em relação a outras 46 recomendações haviam sido observados progressos.
Entre as recomendações satisfeitas, estava aquela que, para a Comissão, seria chave para que o Plano de Sustentabilidade fosse executado da melhor forma possível. Era a recomendação de as várias organizações governamentais e não-governamentais com incidência no East London (como a Agência Ambiental, Natural England e Hidrovias Britânicas) buscassem atuar de forma conjunta, visando garantir ações coordenadas, mas sempre com uma postura crítica. Como fruto dessa atuação conjunta, deveria ser formulado um plano de futuro para o Lea Valley, de modo que a infraestrutura implantada dê resultados positivos em termos ambientais, sociais e econômicos para a cidade como um todo e para essa região em particular.
No último balanço trimestral, a Comissão também considerou que algumas recomendações feitas estavam sob risco de não serem cumpridas, tais como: viabilidade da compostagem de algumas embalagens desenvolvidas para serem utilizadas durante a competição, implementação adequada da estratégia de gestão de energia e plano de conservação visando a redução das emissões de carbono durante os jogos e compartilhamento, para além da "família do Comitê Olímpico Internacional", da aprendizagem derivada do legado de sustentabilidade de Londres-2012, de modo a que a indústria de eventos otimize, em outras competições no Reino Unido e em todo mundo, os recursos aplicados nos Jogos Olímpicos deste ano.
Saltos no plano de sustentabilidade -  De qualquer modo, a Comissão para uma Londres-2012 Sustentável considerou que foram verificados avanços em relação a outras Olimpíadas. Algumas áreas em destaque:




Área
Londres 2012
Pequim 2008
Atenas 2004
Sidney 2000
Mobilidade
Garantia de 100% de acesso aos jogos por transporte público, com melhorias significativas no transporte ferroviário e por ônibus
Cinco novas linhas de metrô, implantação do 4º e 5º  anéis viários.
Melhorias gerais no transporte público, incluindo eco-ônibus, nova linha de metrô, linha de trem e novo aeroporto internacional
Novas linhas para o parque.
Design inclusivo
Todos espaços projetados com os princípios do design inclusivo
Espaços concebidos com padrões contemporâneos
Sem informação
Requisitos para a inclusão observados em todos espaços
Criação de uma nova vizinhança ou revitalização da existente
Regeneração do Baixo Lea Valley no East London, que está no coração do projeto olímpico. Planos foram formulados para o futuro da área
Venda por atacado, visando novos usos, de grandes parcelas de terras no centro da cidade, com realocação de milhares de famílias no subúrbio  

Localização dos Jogos Olímpicos dependeu das terras existentes, não havendo estratégias de revitalização
Uma nova cidade foi planejada para 10 anos depois dos Jogos. A Vila Olímpica tornou-se um novo subúrbio
Infraestrutu-ra em energia renovável
Metas de energias renováveis  não cumpridas devido a falha técnica da proposta tecnológica para o território dos eventos. No entanto, medidas compensatórias foram tomadas no lugar e superadas
Compromisso de instalar rede  geotérmica de aquecimento para cobrir 16 milhões de metros quadrados. Vários locais equipados com energia geotérmica, fontes de água e ar provenientes de bombas de calor e sistemas de energia solar fotovoltaica
Sem energia solar fotovoltaica incorporada aos locais de encontro. Abordagem convencional de design em todos os locais. Sem medidas de economia de água
Vila Olímpica e alguns locais incluindo energia solar fotovoltaica. Medidas de economia de água, incluindo uma  estação de tratamento (WRAMS) que também fornece energia renovável
Redução de carbono
Meta de redução de 50% do carbono das operações na infraestrutura criada foi excedida, embora com medidas de compensação fora deste território
Impostos mais altos aplicados aos veículos maiores. 90% dos ônibus e 70% dos táxis usaram gás natural
Sem informação
Sem informação
Qualidade do ar
Meta de redução média de 30% dos congestiona-mentos através do aumento das caminhadas, ciclismo e do uso de transportes públicos
Fechamento de usina siderúrgica pesada na cidade, redução do número de veículos mais antigos nas estradas, restrições ao uso de veículos observadas nos Jogos estendidas em 12 meses após o evento
Campanha para aumento da consciência pública visando diminuir o número de carros
Sem metas específicas, mas o grande uso de transporte publicou reduziu o impacto do uso de veículos particulares
Metas em resíduos
Principal  compromisso de que os Jogos sejam um catalisador para a infra-estrutura de resíduos em East London  não será alcançada. Contudo, metas substanciais relativas aos resíduos foram observadas durante a fase de construção e durante os Jogos
Meta de que, em 2005,  96% de todos os resíduos e águas residuais  seriam eliminados de forma segura e tratados.
Sem atividades de reuso de material e reciclagem
90% dos materiais usados ou reciclados no próprio site. Política de embalagem para resíduos de alimentos
Materiais de construção
Varias metas definidas quanto ao uso de materiais ambientalmente sensíveis e de  reutilização de materiais em construção. As metas foram cumpridas
Não houve, mas foi feito um esforço relacionado ao uso de materiais em todas as fases de construção. Houve por exemplo um programa para eliminação progressiva dos gases que afetam a camada de ozônio e uso de materiais compostos de madeira para fabricação de mobiliário
Sem informação
Política de materiais ambientalmen-te sensíveis como PVC e madeira
Infraestrutu-ra de resíduos
Estação de tratamento de água residual que limpa e recicla água não potável foi construída no local
Meta declarada de construção de 14 novas estações de tratamento de águas residuais
Remediação de antigo aterro sanitário
Antigo aterro nivelado e equipado com captura de gás metano,  mas infra-estrutura não foi ativamente implantada
Plano de biodiversi-dade
Claro plano de ação em biodiversidade visando substituir a diversidade de espécies que foi perdida durante a construção e melhoria da biodiversidade no território
Criação de áreas verdes incluindo 680 hectares de parque e aumento do plantio de árvores incluindo 240 km de árvores e gramados
Houve propostas não executadas
Criação de novo parque
Metas de empregos locais
Metas específicas para emprego local foram superadas
Sem metas específicas
Sem consultas ou participação da comunidade
Forte estratégia de voluntariado
Criação de novas oportunida-des de negócios na área do legado
Planos de criar novas oportunidades de negócios por vários meios
Plano para tornar Pequim não apenas uma cidade produtora mas consumidora, com benefícios econômicos
Modestos impactos econômicos de longo prazo, embora infraestrutura tenha seus efeitos
Demora no estabelecimen-to de novo centro da cidade, mas economia cresceu por meio dos investimentos feitos
Resultados para a saúde em geral
Reiteração de metas de aumento da atividade física e participação em esportes durante sucessivos governos. Progressos nesta área não são animadores
Críticas a respeito de que muitos locais de esportes são caros para a população de Pequim
Sem metas propostas
Intenção declarada de melhorar  participação nos esportes a partir do efeito Olímpico, mas não houve monitoramento deste impacto

Fonte:  “Assegurando um legado - promessas, progresso e potencial”, da Comissão para uma Londres-2012 Sustentável, março de 2012, que citou, por sua vez, Gold JR & MR 2011 Olympic Cities Second Edition; Locate in Kent 2009 Economic Impacts of Olympic Games; Manidis Roberts 2010 The Legacy of the Green Games; East Thames nd 2012- Home Games; Greenpeace n.d The Beijing 2008 Environmental Performance Evaluation; UNEP 2008 UNEP Evaluation of Beijing 2008 Games. )
O propósito de renovação completa do Lea Valley, no East London, foi enfim alcançado, com a observação de muitos princípios da sustentabilidade e em função da governança estabelecida. Um dos principais pontos é que os Jogos Olímpicos e as Paraolimpíadas de 2012 em Londres são os primeiros da história olímpica a mapear a pegada de carbono, visando a redução de pelo menos 50% das emissões. A meta de geração de 20% da energia consumida no projeto olímpico por fontes renováveis não foi cumprida, porque não houve, ao contrário do esperado, aumento substancial da oferta de energias renováveis em Londres no período, mas foram aplicadas medidas para uso mais eficiente da energia.     
O fato de que mais de 80% do solo foram limpos e reutilizados no próprio território do parque olímpico indica a dimensão das operações, que incluiram o transporte de 2 mil toneladas de resíduos por barcaças. As fundações para o Centro Aquático, Arena de Handball e Estádio Olímpico usaram concreto com mais de 30% de material reciclado. Um viveiro do Reino Unido foi contratado para fornecer 60.000 plantas para o jardim do Parque Olímpico, localizado ao lado do Centro Aquático. No final de dezembro de 2010, havia 6500 pessoas trabalhando no Parque Olímpico e mais de 5300 na Vila Olímpica. Mais de 200 mulheres foram contratadas, o projeto envolveu mais de 400 aprendizes e 75% das pessoas anteriormente desempregadas e que foram contratadas eram provenientes de cinco distritos de East London.
O conceito geral de sustentabilidade observado foi construído com a parceria das organizações BioRegional e WWF. O relatório de sustentabilidade de Londres-2012 foi elaborado de acordo com os indicadores do GRI - Global Reporting Initiative. Este relatório, mais as conclusões da Comissão para uma Londres-2012 Sustentável, representam importantes subsídios para os próximos megaeventos esportivos - quatro deles a serem realizados no Brasil nos próximos quatro anos. (Por José Pedro S.Martins)    


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

México encaminha propostas da sociedade civil para a Rio+20




A proposta oficial do México para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, incorpora as recomendações da sociedade civil mexicana. De forma geral, em sua proposta, o México sustenta que a Rio+20 deve ter "uma visão do futuro e não do passado", entendendo que os documentos finais das duas megaconferências anteriores, a Eco-92 no Rio de Janeiro em 1992 e a Rio+20 em Johannesburgo, na África do Sul, em 2002, propiciaram um amplo diagnóstico da situação global e apontaram possíveis caminhos em direção à sustentabilidade. Caberia à Rio+20 definir critérios e realinhamentos "para reorientar o rumo dos esforços presentes e futuros em matéria de desenvolvimento sustentável, particularmente no que se refere a mudanças nos modelos de produção e consumo".

O México lembra que os documentos e compromissos firmados na Eco-92 e Rio+10 continuam vigentes, como no caso da Agenda 21 global de 1992. A proposta mexicana ressalta especialmente a necessidade de continuação do princípio das "responsabilidades comuns e diferenciadas", que deve ser um dos temas de controvérsia na Rio+20. Este princípio indica a responsabilidade histórica dos países considerados desenvolvidos no estado de degradação ambiental global. Estes mesmos países têm defendido que os países em desenvolvimento, sobretudo os chamados emergentes, deveriam assumir maiores compromissos, como no caso da redução na emissão de gases-estufa.

O desenvolvimento sustentável como fundamental nas estratégias de desenvolvimento e o fortalecimento da cooperação internacional são defendidos pelo México. Mecanismos para facilitar a transferência de tecnologias sustentáveis, o maior envolvimento da comunidade financeira internacional nos esforços pelo desenvolvimento sustentável e o avanço nas ferramentas para monitorar e avaliar os três eixos da sustentabilidade, o econômico, o social e o ambiental, são outras propostas do México.

Em termos de governança ambiental global, o México propõe a revitalização da Comissão sobre o Desenvolvimento Sustentável da ONU e modificações no Conselho de Administração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), no sentido de que ele passe a contar com uma "membresia universal a fim de envolver formalmente a todos os países na tomada de decisões" do Programa.

México observa que as organizações da sociedade civil mexicana se converteram em atores dinâmicos na construção de políticas públicas. Neste sentido, e considerando o princípio 22 da Declaração do Rio, de 1992, o país decidiu pela "incorporação do conhecimento e experiência" da sociedade civil mexicana na sua proposta oficial. A formatação final dessas propostas ocorreu no seminário "Caminhando até a Rio+20", realizado dia 24 de outubro, em parceria com as Secretarias (Ministérios) das Relações Exteriore se Meio Ambiente e Recursos Naturais.

Em suas propostas, a sociedade civil mexicana indica a necessidade de transformação de paradigmas econômicos. "O atual modelo de desenvolvimento é inviável", salientam as ONGs. De forma semelhante à proposta brasileira, elas propõem entre outros pontos um "piso de proteção social universal". Defendem também uma taxação sobre as transações financeiras internacionais e a "criação de 50% de empregos verdes e decentes a ser alcançados nos próximos 5-10 anos, acompanhados por um pacote de políticas trabalhistas para assegurar a qualidade destes empregos". O reconhecimento de produtos sustentáveis, do comércio justo e da diversidade cultural, linguistica e étnica dos países e povos são igualmente defendidos pelo México, país com muitas etnias.

Um Índice de Sustentabilidade Global é proposto pela sociedade civil mexicana, para medir os avanços (ou não) dos países em várias áreas. A proposta resgata uma ideia que vigorou muito tempo no debate internacional, e que perdeu força nos últimos anos em função da crise econômica global. É a proposta de destinação de 0,7% do PIB dos países ricos a título de Ajuda Oficial ao Desenvolvimento dos países mais pobres. O fortalecimento do papel das ONGs e a criação de um novo capítulo, que seria o de número 41, na Agenda 21 global, com referência ao papel das "Corporações Transnacionais e o Desenvolvimento Sustentável", são também defendidos pela sociedade civil mexicana. (Por José Pedro S.Martins, autor entre outros livros de "Terra Cantata - Uma história da sustentabilidade", Komedi, 2007, e "Jogo Verde, Jogo Limpo - 100 propostas para uma Agenda 21 Brasil do Esporte pela Sustentabilidade, o Turismo Sustentável, a Paz e a Diversidade Cultural", Komedi, 2011).

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Colômbia quer renovação de compromisso global com Agenda 21

Remanescente de Mata Atlântica em Pernambuco:

biodiversidade é um dos temas da Agenda 21 global


A renovação do compromisso da comunidade internacional com a Agenda 21, conjunto de princípios e diretrizes aprovados na Eco-92 em 1992, é uma das propostas oficiais da Colômbia para a Rio+20, que será novamente realizada no Rio de Janeiro, em junho de 2012. Para o governo colombiano, a Rio+20 representa uma oportunidade única para a comunidade internacional “buscar novos modelos de desenvolvimento e definir um mecanismo que permita medir os avanços e as limitações na busca do equilíbrio entre o crescimento socioeconômico sustentável com o uso sustentável dos recursos naturais e a conservação dos serviços ecossistêmicos”.
Do mesmo modo que os Estados Unidos e o Brasil, a Colômbia defende que a Rio+20 aprove os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), similares aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), que tem como horizonte 2015. Mas a Colômbia deixa claro que os ODS deveriam ser inspirados na Agenda 21, documento aprovado na Eco-92, até o momento a principal conferência socioambiental da história. Em 40 capítulos, a Agenda 21 traça um roteiro para o desenvolvimento sustentável em diversas áreas.
Existe um temor, entre observadores que acompanham há décadas as conferências da ONU, que a Rio+20 leve a uma diminuição dos princípios e diretrizes estipulados na Agenda 21. Mas a Colômbia reafirma que a Agenda 21 deve ser a base de definição da “rota para o desenvolvimento sustentável”, como aprovado na Eco-92. “Hoje se faz necessário considerar a definição de objetivos para identificar as brechas e necessidades, para avançar em uma implementação mais estruturada dos princípios e metas definidos há 20 anos”.
A Colômbia também defende que a Rio+20 defina uma nova institucionalidade ambiental, uma nova governança para as questões da sustentabilidade em escala global. “Atualmente a institucionalidade ambiental a nível internacional não reúne as condições necessárias para cumprir com as exigências de um sistema que requer capacidade para impulsionar ações e estratégias concretas para articular os três pilares” do desenvolvimento sustentável, o econômico, o social e o ambiental.
Nesse campo a Colômbia, a exemplo dos demais países que encaminharam até o dia 1º de novembro suas propostas para a Rio+20, defende o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), sediado em Nairobi, no Quênia, e que hoje tem um mandato considerado limitado, a exemplo de seu orçamento anual.
Para a Colômbia, o PNUMA fortalecido seria fundamental para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável apoiados na Agenda 21, “documento que segue hoje totalmente vigente, e que oferece um incomparável mapa dos requisitos e elementos para alcançar o desenvolvimento sustentável”. (Por José Pedro S.Martins)

domingo, 23 de outubro de 2011

Copa 2014, Olimpíadas 2016 e a crise da água no Brasil

Rio Piracicaba seco em agosto de 2011:

signo da luta pela água limpa e para todos


A Rio+20 em 2012, a Copa 2014 e as Olimpíadas em 2016 são momentos estratégicos para uma grande reflexão sobre o status e o futuro da água em território brasileiro. O Brasil tem 12,5% da água doce do mundo, sendo portanto privilegiado em recursos hídricos. Entretanto, em função do processo de desenvolvimento do país, que concentrou a maior parte da população no Sul-Sudeste, há uma má distribuição da água para os brasileiros. Cerca de 80% da água doce estão na Amazônia, onde vivem 10% da população, enquanto em São Paulo, que tem 20% da população, existem menos de 3% dos recursos hídricos. Resultado, a Grande São Paulo e a Região Metropolitana de Campinas enfrentam problemas sérios com qualidade e quantidade da água. Essas duas regiões têm alguns dos rios mais poluídos do país, como o Tietê e o Pinheiros na Grande São Paulo e o Piracicaba, Atibaia e Quilombo, na altura da RMC. Além disso, em todo país há um enorme déficit no saneamento básico, com menos de 50% dos esgotos urbanos tratados. Em muitas capitais existe déficit até na coleta de esgoto.


Os grandes eventos dos próximos anos podem contribuir para a urgente transformação do panorama do saneamento e da água no Brasil. Em primeiro lugar, é imperativo que nas 12 cidades-sede haja um grande avanço na coleta e tratamento dos esgotos urbanos. Faz sentido que São Paulo, cidade mais populosa e rica do país, abra a Copa de 2014 ainda sem completo tratamento de esgoto urbano? O mesmo, claro, em relação às outras cidades-sede e subsedes.


Os eventos também podem ser indutores de boas práticas no manejo da água e saneamento, servindo de exemplo e espelho para a população. Os estádios e outros locais das competições devem possuir sistemas de economia e reuso de água, do mesmo modo que oferecer infraestrutura para a coleta seletiva, visando a reciclagem dos resíduos.


Cuidados especiais devem ser mantidos com o manejo de água das piscinas, evitando-se o desperdício, as más condições sanitárias e o uso indevido de produtos químicos. Cuidados especiais igualmente com sistemas de irrigação de campos de grama, utilizados em modalidades como futebol, tênis e outras. Construção de sistemas para captação de água da chuva para usos eventuais em instalações esportivas podem ser bons exemplos.


A FIFA e o Comitê Olimpico Internacional (COI) têm incluído a preocupação com a água e o saneamento no exame de candidaturas às Copas do Mundo e Jogos Olimpícos. Por causa de sua candidatura às Olimpíadas de 2016, Chicago formulou um programa batizado de Water Market, para compensar financeiramente o uso sustentável da água. Perdeu a candidatura para o Rio de Janeiro, mas o programa permanecerá. Os grandes eventos esportivos que o Brasil sediará podem ser fundamentais para uma maior conscientização e ações a respeito da água e saneamento no país, por sua vez contribuindo para a construção de uma Agenda 21 do Esporte. (José Pedro Martins, com informações do meu livro, "Jogo Verde, Jogo Limpo - 100 propostas para uma Agenda 21 Brasil do Esporte pela Sustentabilidade, o Turismo Sustentável, a Paz e a Diversidade Cultural, Editora Komedi, 2011).


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Copa 2014 e Olimpíadas 2016 podem alavancar política pública unindo esporte e educação

Trabalho sobre futebol de aluno da Escola Municipal "Padre Joaquim de Sousa Silva", de Contagem (MG): Brasil pode não se tornar campeão da Copa de 2014 ou se sair bem nas Olimpíadas de 2016, mas o país sairá absolutamente vencedor se utilizar esse momento histórico excepcional para formular e iniciar uma política pública unindo esporte e educação, particularmente em termos de educação para a sustentabilidade.


Outro trabalho de aluno da EM Pe Joaquim de Sousa Silva, de Contagem: Grandes competições podem ser estímulo para criação de política de maciço fomento ao esporte desde as escolas de ensino fundamental, médio e universidade, nos moldes de política exercida em países como Estados Unidos, que têm fortes equipes em nivel escolar e universitário. O link entre esporte e escolas pode fortalecer os dois lados dessa moeda do bem.

Pebolim, ou totó, durante intervalo na Escola Municipal "Apio Cardoso", na mesma Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte: O esporte é estratégico particularmente para a promoção de uma educação para a sustentabilidade. Difusão de conceitos de sustentabilidade, paz e diversidade cultural pode ocorrer em cursos técnicos e superiores de formação de profissionais, nas áreas de Educação Física, Medicina, Comunicação, Arquitetura e Engenharia, que trabalharão na área esportiva, em clubes, construção de instalações esportivas e eventos esportivos.

Outro trabalho de aluno, na Escola Municipal de Pedra Bela, interior de São Paulo: linhas de pesquisa sobre uso de materiais e energias renováveis no esporte podem ser abertas em Universidades, que também podem desenvolver estudos em esporte e sustentabilidade, envolvendo áreas como comunicação, sociologia, cultura, artes e outras. O esporte, que atrai tantos corações e mentes, enfim, pode ser essencial para o absolutamente vital salto na qualidade da educação no Brasil, particularmente em termos de educação para a sustentabilidade. Esse pode ser o grande legado da Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016. (Por José Pedro Martins, autor do livro "Jogo Verde, Jogo Limpo - 100 propostas para uma Agenda 21 Brasil do Esporte pela Sustentabilidade, o Turismo Sustentável, a Paz e a Diversidade Cultural, Editora Komedi, 2011)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Livro sobre Agenda 21 Brasil do Esporte pela Sustentabilidade lançado em Seminário no Mato Grosso



Senador Benedito de Lira, jornalista José Pedro Martins, deputado Jonas Donizette e Cláudio Langone (Ministério do Esporte), no Seminário no Mato Grosso



Em razão da Rio+20, em 2012, a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 o Brasil tem uma oportunidade histórica para liderar um movimento global pelo desenvolvimento sustentável e firmar o esporte como plataforma para promover a sustentabilidade, o desenvolvimento regional, o turismo sustentável, a diversidade cultural e a paz. Esta é a tese central do livro “Jogo Verde, Jogo Limpo – 100 propostas para uma Agenda 21 Brasil do Esporte pela Sustentabilidade, o Turismo Sustentável, a Paz e a Diversidade Cultural” (Komedi, 2011), do jornalista José Pedro Martins. O livro foi lançado no Seminário Políticas Ambientais para a Sustentabilidade na Copa do Mundo, realizado de 11 a 14 de agosto no Centro de Eventos Onça Pintada, do Hotel SESC Porto Cercado, no Mato Grosso.
“Esporte e sustentabilidade. Uma parceria de enorme futuro. Uma oportunidade histórica para mobilizar pessoas e organizações em torno dos princípios do desenvolvimento sustentável, a partir do crescente poder de sedução que o esporte exerce sobre cidadãos de todos os países”, escreve o autor, que descreve no primeiro capítulo a história recente da ligação entre esporte e sustentabilidade, deflagrada praticamente após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Ecco-92, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992. Foi a Conferência que consagrou a expressão desenvolvimento sustentável e quando foram aprovados documentos importantes, como a Convenção das Mudanças Climáticas, Convenção da Diversidade Biológica e Agenda 21 global.




Capa do livro "Jogo Verde, Jogo Limpo", que tem 100 propostas para uma Agenda 21 do Esporte pela Sustentabilidade no Brasil

Logo após a Eco-92, o Comitê Olímpico Internacional (COI) incluiu o meio ambiente como terceiro pilar do movimento olímpico, ao lado do esporte e cultura. Depois o COI firmou parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que resultou em uma Agenda 21 do Esporte Olímpico. Uma Agenda 21 do Esporte também foi produzida na França.
Desde as Olimpíadas de 2000, na Austrália, princípios de sustentabilidade vêm sendo observados nos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas seguintes, de Verão e Inverno, incorporaram medidas crescentes em sustentabilidade.
Agora são grandes as expectativas para a consolidação da parceria entre esporte e sustentabilidade, em função dos três megaeventos no Brasil: Rio+20, Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016. País com 12,5% da água doce e a maior biodiversidade do planeta, o Brasil pode dar um salto enorme nessa parceria, defende o jornalista José Pedro Martins.
O livro “Jogo Verde, Jogo Limpo” inclui, então, 100 propostas para a construção coletiva no Brasil de uma Agenda 21 do Esporte pela Sustentabilidade, o Turismo Sustentável, a Paz e a Diversidade Cultural. São propostas relacionadas aos 40 capítulos da Agenda 21 global, aprovada na Eco-92, abrangendo a possível contribuição do esporte nas áreas ambiental, social, econômica e cultural.
“Em um tempo de crise de utopias e de identidades, o esporte tem uma aura positiva de enorme potencial para ajudar a construir consensos em torno das exigências de novo modelo civilizatório”, propõe o autor, concluindo: “A Terra é uma bola. Um jogo verde e limpo vai continuar fazendo dela a nossa casa comum, tão bela e generosa”.
José Pedro Martins é jornalista e escritor, autor de vários livros sobre questões em sustentabilidade, história e cultura, como “Agenda 21 Local para uma Ecocivilização” (2005, Komedi), “Terra Cantata – Uma história da sustentabilidade” (2007, Komedi), “Capoeira, um patrimônio cultural” (2011, Komedi). Recebeu o Prêmio International Media Awards (1992 e 1995, da União Católica Internacional de Imprensa, Genebra), Prêmio Amizade Norte-Sul (Fundação Heinrich Jansen-Cron Werk, Berlim, 1992), e Prêmio Ethos de Jornalismo (Instituto Ethos, 2003), e finalista do Prêmio Esso em 1997 e Prêmio Ethos em 2008.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

França apresenta a sua Agenda 21 do Esporte pelo Desenvolvimento Sustentável

O moderno movimento olímpico internacional foi lançado na França, após um congresso na Sorbonne, em 1896, sob a liderança do legendário Barão Pierre de Coubertin. Agora a França mantém seu pioneirismo, com a formulação da Agenda 21 do Esporte Francês pelo Desenvolvimento Sustentável (também chamado em francês de Desenvolvimento Durável).
A iniciativa foi do Comitê Olímpico Nacional do Esporte Francês, sediado na Casa do Esporte Francês (Maison Du Sport Français), localizado justamente na avenida Pierre de Coubertin. Na apresentação do documento, o presidente do Comitê Olímpico Nacional, Henri Serandour, observa que a iniciativa é uma derivação da Agenda 21 do Comitê Olímpico Internacional.

A Agenda 21 do Esporte Francês é fruto de uma reflexão coletiva, envolvendo confederações e federações esportivas, Universidades, ministérios e várias outras organizações. Várias empresas apoiaram a formulação da Agenda 21 do Esporte Francês. O documento foi entregue oficialmente ao ministro dos Esportes, Jean-François Lamour, a 18 de dezembro de 2003, em conferência sobre a Agenda 21 do Esporte Francês pelo Desenvolvimento Sustentável. Os princípios indicados na Agenda passaram a ser observados pelo conjunto da comunidade esportiva francesa a partir de 2004. (Ler mais na coluna ESPORTE E SUSTENTABILIDADE: UMA HISTÓRIA)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Programa das Nações Unidas tem estratégia para ligar esporte e sustentabilidade

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) elaborou uma estratégia de longo prazo para vincular esporte e meio ambiente, por meio da difusão da ética e dos valores ambientais em todos os níveis do esporte, inclusive do esporte recreativo. A iniciativa foi batizada de Estratégia Michezo, palavra que significa “esportes” e “jogo” no idioma kiswahili, presente na África Oriental e que mantém laços com outros idiomas. A Estratégia Michezo está em vigor desde 2003.
Os objetivos centrais da Estratégia Michezo são a promoção da integração dos aspectos ambientais ao esporte; a utilização da popularidade dos esportes para promover a sensibilização do público, sobretudo dos jovens, sobre questões ambientais; e promover o aperfeiçoamento das instalações esportivas e métodos de fabricação de materiais esportivos respeitando as premissas da sustentabilidade.

É especial o papel dos atletas, nota o PNUMA: “Milhões de pessoas admiram os esportistas de sucesso e os consideram arquétipos sociais. Estes arquétipos, que são admirados por valores como honradez, paixão pelo trabalho, espírito de equipe e cooperação, a disciplina, a dedicação, a dignidade e o respeito aos demais podem desempenhar uma função primordial para influenciar e estimular atitudes da sociedade relativas ao meio ambiente”. (Ver mais na coluna ESPORTE E SUSTENTABILIDADE: UMA HISTÓRIA)

domingo, 7 de agosto de 2011

Agenda 21 do Esporte para a Sustentabilidade será divulgada nas Olimpíadas de 2012 e 2016

As Olimpíadas de Londres, em 2012, e do Rio de Janeiro, em 2016, serão ocasião perfeita para divulgar a Agenda 21 do Movimento Olímpico do Esporte para o Desenvolvimento Sustentável. A construção da Agenda, aprovada em 1999, foi coordenada pela Comissão de Esporte e Meio Ambiente do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Na apresentação do documento, o então presidente do COI, Juan Antonio Samaranch, observou que o meio ambiente foi ratificado como o terceiro pilar do movimento olímpico internacional em 1994, ao lado do esporte e cultura. Era uma iniciativa em resposta aos debates na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, de 1992, realizada no Rio de Janeiro.

A Agenda 21 do Movimento Olímpico inclui objetivos relacionados a cada um dos capítulos da Agenda 21 global, aprovada na Eco-92. A Agenda 21 do Movimento Olímpico apresenta, portanto, interface com as dimensões econômica, social e ambiental, incluídas na Agenda 21 global. (Ver mais na coluna ESPORTE E SUSTENTABILIDADE: UMA HISTÓRIA)