Informações e projetos relacionados ao esporte como espaço e plataforma de contribuição ao desenvolvimento sustentável nos aspectos ambiental, econômico e social, mas também para a solidariedade, a cultura de paz e a diversidade cultural
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Avança na Europa debate sobre corrupção no futebol e outros esportes
O simpósio é promovido pelo Instituto de Luta contra a Criminalidade Econômica (ILCE), em colaboração com a Transparência Internacional Suíça. Estarão em debate temas polêmicos como Aquisição e gestão criminal de clubes esportivos, Riscos financeiros ligados à transferência de jogadores de futebol, Aplicação do direito anticorrupção às organizações esportivas internacionais na Suíça, A luta contra o doping e A manipulação dos resultados esportivos.
Em 2009 a Transparência Internacional publicou o relatório "Corrupção e esporte: construindo integridade e prevenindo abusos". A organização observa: "Sempre que há uma competição, dinheiro ou poder envolvido, a corrupção é uma ameaça constante. A indústria desportiva não é imune a esta realidade. Desde a combinação de resultados a propinas para construção de estádios, o mundo esportivo tem visto uma série de escândalos de corrupção que manchou sua reputação".
Transparência Internacional nota que, embora a Carta Olímpica afirme que "procura criar um modo de vida com base no (...) o valor educacional do bom exemplo e respeito com
princípios éticos universais fundamentais", muitos esportes e organizações - segundo a organização anticorrupção - "ainda não adotaram abordagens eficazes para lidar corretamente com o problema da corrupção no desporto".
A organização sugere então algumas ideias para combater e prevenir a corrupção no esporte: adoção de instrumentos anticorrupção, tais como os princípios da Transparência Internacional para Combater o Suborno nos Negócios, "para colaborar com a indústria de jogos internacionais a evitar abusos e corrupção"; parcerias com organizações internacionais anticorrupção e antifraude; parcerias entre organizações da sociedade civil e associações desportivas, eventos e equipes em atividades que promovam uma maior responsabilização e ajudem a produzir diretrizes de boas práticas; promoção dos valores fornecidos pelo esporte e sua utilização na educação, especialmente em colaboração com jovens atletas; estabelecimento de abordagens anticorrupção em organizações desportivas internacionais, como nos seus estatutos, constituições e códigos de conduta para
membros; promoção de transparência por parte de equipes e proprietários de clubes; promoção de regras claras e transparência na transferência de jogadores e no mercado de trabalho; construção
de pactos de integridade e de mecanismos para monitoramento cidadão de projetos de infraestrutura ligados a grandes eventos esportivos; desenvolvimento de um código de conduta e regras para a distribuição de convites VIP e de ingressos em eventos esportivos; promoção da ética no esporte como parte da responsabilidade dos patrocinadores corporativos; sensibilização dos meios de comunicação sobre o seu importante papel no combate a comportamentos antiéticos e corrupção no esporte e quanto aos riscos associados de perda de independência da mídia; parcerias entre as organizações da sociedade civil e jornalistas para combater a corrupção no esporte.
No documento, Transparência Internacional cita casos exemplares de prevenção à corrupção no esporte. Na Argentina, o capítulo local da Transparência, denominado Poder Ciudadano, elaborou diretrizes para organizações esportivas, de modo a promover administrações mais transparentes e
responsáveis, incluindo a divulgação regular das rendas dos dirigentes e publicação de orçamentos e compras. Na Itália, o capítulo local da Transparência tem foco na educação e cooperação com escolas e promove mesas redondas com funcionários do governo, organizações da sociedade civil e atletas
para discutir mecanismos para incentivar e reforçar a ética e a integridade. No Quênia, o capítulo local da Transparência Internacional atuou como árbitro no polêmico processo de eleição da federação de futebol. Na Suíça, o capítulo nacional de Transparência promove a consciência da corrupção no esporte pela publicação de artigos na mídia e organizando mesas redondas com os árbitros, dirigentes esportivos, associações e representantes dos meios de comunicação.
domingo, 23 de outubro de 2011
Copa 2014, Olimpíadas 2016 e a crise da água no Brasil
A Rio+20 em 2012, a Copa 2014 e as Olimpíadas em 2016 são momentos estratégicos para uma grande reflexão sobre o status e o futuro da água em território brasileiro. O Brasil tem 12,5% da água doce do mundo, sendo portanto privilegiado em recursos hídricos. Entretanto, em função do processo de desenvolvimento do país, que concentrou a maior parte da população no Sul-Sudeste, há uma má distribuição da água para os brasileiros. Cerca de 80% da água doce estão na Amazônia, onde vivem 10% da população, enquanto em São Paulo, que tem 20% da população, existem menos de 3% dos recursos hídricos. Resultado, a Grande São Paulo e a Região Metropolitana de Campinas enfrentam problemas sérios com qualidade e quantidade da água. Essas duas regiões têm alguns dos rios mais poluídos do país, como o Tietê e o Pinheiros na Grande São Paulo e o Piracicaba, Atibaia e Quilombo, na altura da RMC. Além disso, em todo país há um enorme déficit no saneamento básico, com menos de 50% dos esgotos urbanos tratados. Em muitas capitais existe déficit até na coleta de esgoto.
Os grandes eventos dos próximos anos podem contribuir para a urgente transformação do panorama do saneamento e da água no Brasil. Em primeiro lugar, é imperativo que nas 12 cidades-sede haja um grande avanço na coleta e tratamento dos esgotos urbanos. Faz sentido que São Paulo, cidade mais populosa e rica do país, abra a Copa de 2014 ainda sem completo tratamento de esgoto urbano? O mesmo, claro, em relação às outras cidades-sede e subsedes.
Os eventos também podem ser indutores de boas práticas no manejo da água e saneamento, servindo de exemplo e espelho para a população. Os estádios e outros locais das competições devem possuir sistemas de economia e reuso de água, do mesmo modo que oferecer infraestrutura para a coleta seletiva, visando a reciclagem dos resíduos.
Cuidados especiais devem ser mantidos com o manejo de água das piscinas, evitando-se o desperdício, as más condições sanitárias e o uso indevido de produtos químicos. Cuidados especiais igualmente com sistemas de irrigação de campos de grama, utilizados em modalidades como futebol, tênis e outras. Construção de sistemas para captação de água da chuva para usos eventuais em instalações esportivas podem ser bons exemplos.
A FIFA e o Comitê Olimpico Internacional (COI) têm incluído a preocupação com a água e o saneamento no exame de candidaturas às Copas do Mundo e Jogos Olimpícos. Por causa de sua candidatura às Olimpíadas de 2016, Chicago formulou um programa batizado de Water Market, para compensar financeiramente o uso sustentável da água. Perdeu a candidatura para o Rio de Janeiro, mas o programa permanecerá. Os grandes eventos esportivos que o Brasil sediará podem ser fundamentais para uma maior conscientização e ações a respeito da água e saneamento no país, por sua vez contribuindo para a construção de uma Agenda 21 do Esporte. (José Pedro Martins, com informações do meu livro, "Jogo Verde, Jogo Limpo - 100 propostas para uma Agenda 21 Brasil do Esporte pela Sustentabilidade, o Turismo Sustentável, a Paz e a Diversidade Cultural, Editora Komedi, 2011).
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Livro sobre Agenda 21 Brasil do Esporte pela Sustentabilidade lançado em Seminário no Mato Grosso
“Esporte e sustentabilidade. Uma parceria de enorme futuro. Uma oportunidade histórica para mobilizar pessoas e organizações em torno dos princípios do desenvolvimento sustentável, a partir do crescente poder de sedução que o esporte exerce sobre cidadãos de todos os países”, escreve o autor, que descreve no primeiro capítulo a história recente da ligação entre esporte e sustentabilidade, deflagrada praticamente após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Ecco-92, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992. Foi a Conferência que consagrou a expressão desenvolvimento sustentável e quando foram aprovados documentos importantes, como a Convenção das Mudanças Climáticas, Convenção da Diversidade Biológica e Agenda 21 global.
Capa do livro "Jogo Verde, Jogo Limpo", que tem 100 propostas para uma Agenda 21 do Esporte pela Sustentabilidade no Brasil
Logo após a Eco-92, o Comitê Olímpico Internacional (COI) incluiu o meio ambiente como terceiro pilar do movimento olímpico, ao lado do esporte e cultura. Depois o COI firmou parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que resultou em uma Agenda 21 do Esporte Olímpico. Uma Agenda 21 do Esporte também foi produzida na França.
Desde as Olimpíadas de 2000, na Austrália, princípios de sustentabilidade vêm sendo observados nos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas seguintes, de Verão e Inverno, incorporaram medidas crescentes em sustentabilidade.
Agora são grandes as expectativas para a consolidação da parceria entre esporte e sustentabilidade, em função dos três megaeventos no Brasil: Rio+20, Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016. País com 12,5% da água doce e a maior biodiversidade do planeta, o Brasil pode dar um salto enorme nessa parceria, defende o jornalista José Pedro Martins.
O livro “Jogo Verde, Jogo Limpo” inclui, então, 100 propostas para a construção coletiva no Brasil de uma Agenda 21 do Esporte pela Sustentabilidade, o Turismo Sustentável, a Paz e a Diversidade Cultural. São propostas relacionadas aos 40 capítulos da Agenda 21 global, aprovada na Eco-92, abrangendo a possível contribuição do esporte nas áreas ambiental, social, econômica e cultural.
“Em um tempo de crise de utopias e de identidades, o esporte tem uma aura positiva de enorme potencial para ajudar a construir consensos em torno das exigências de novo modelo civilizatório”, propõe o autor, concluindo: “A Terra é uma bola. Um jogo verde e limpo vai continuar fazendo dela a nossa casa comum, tão bela e generosa”.
José Pedro Martins é jornalista e escritor, autor de vários livros sobre questões em sustentabilidade, história e cultura, como “Agenda 21 Local para uma Ecocivilização” (2005, Komedi), “Terra Cantata – Uma história da sustentabilidade” (2007, Komedi), “Capoeira, um patrimônio cultural” (2011, Komedi). Recebeu o Prêmio International Media Awards (1992 e 1995, da União Católica Internacional de Imprensa, Genebra), Prêmio Amizade Norte-Sul (Fundação Heinrich Jansen-Cron Werk, Berlim, 1992), e Prêmio Ethos de Jornalismo (Instituto Ethos, 2003), e finalista do Prêmio Esso em 1997 e Prêmio Ethos em 2008.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
França apresenta a sua Agenda 21 do Esporte pelo Desenvolvimento Sustentável
A iniciativa foi do Comitê Olímpico Nacional do Esporte Francês, sediado na Casa do Esporte Francês (Maison Du Sport Français), localizado justamente na avenida Pierre de Coubertin. Na apresentação do documento, o presidente do Comitê Olímpico Nacional, Henri Serandour, observa que a iniciativa é uma derivação da Agenda 21 do Comitê Olímpico Internacional.